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17/08/2026
Maringá amplia acompanhamento psicológico a mulheres em situação de violência
Maringá amplia acompanhamento psicológico a mulheres em situação de violência
Mulheres em situação de violência atendidas pelo Centro de Referência de Atendimento à Mulher (Cram), em Maringá, poderão dar continuidade ao acompanhamento psicológico após a conclusão do atendimento especializado. A Prefeitura de Maringá, por meio da Secretaria de Políticas Públicas para Mulheres (Semulher), assinou nesta segunda-feira, 17, convênio com o Centro Universitário Cidade Verde (Unicive) para ampliar o suporte e fortalecer a rede municipal de proteção.
O convênio prevê a participação supervisionada de acadêmicos do curso de Psicologia e da clínica-escola da instituição de ensino em atividades de apoio e acompanhamento. A iniciativa também aproxima a formação acadêmica da prática profissional, ao mesmo tempo que amplia a rede de cuidado disponível às mulheres.

A proposta é garantir continuidade ao acompanhamento psicológico depois da conclusão do atendimento especializado realizado pelo Cram. Vinculado à Semulher, o serviço atua no acolhimento de mulheres em situação de violência, com escuta qualificada, atendimento psicossocial e encaminhamentos definidos conforme as necessidades de cada caso.

No primeiro semestre de 2026, 241 mulheres foram atendidas pelo Cram, com 650 atendimentos realizados, considerando também os retornos. A maior parte das mulheres tem entre 30 e 40 anos, e a violência psicológica é a ocorrência mais frequente.

A iniciativa está alinhada à Lei Federal nº 11.340/2006, a Lei Maria da Penha, que prevê a prevenção e o enfrentamento à violência contra a mulher e a articulação da rede de atendimento. A assinatura também integra o ‘Agosto Lilás’, mês de conscientização e combate à violência contra as mulheres.

O prefeito Silvio Barros ressaltou que a conexão entre conhecimento acadêmico e atendimento à população é essencial para ampliar o alcance das políticas pública. “A gente tem, temporariamente, um instrumento de serviço público chamado poder. Ele só existe enquanto estamos no exercício da função e precisa ser usado em benefício da população. O poder da caneta hoje me emociona porque foi a caneta do prefeito que criou a Secretaria da Mulher, há cerca de 20 anos, quando eu era prefeito. Naquele momento, já entendíamos que era necessário oferecer um serviço específico para quem precisa e nem sempre sabe como ou onde buscar socorro”, afirmou.

O prefeito também destacou a importância de ampliar os caminhos de atendimento e acolhimento para mulheres em situação de violência. “Muitas mulheres não têm onde buscar esse socorro e nós precisamos oferecer esse caminho. Temos trabalhado para construir espaços de segurança e acolhimento. A segurança que realmente faz diferença para a mulher não é apenas aquela que a protege por fora. É também a que ela constrói por dentro, com apoio, orientação e condições para retomar a própria vida. Por isso, este é um momento muito especial e de muita alegria”, enfatizou o prefeito.

O reitor da Unicive e presidente da Acim, José Carlos Barbieri, detalhou que a parceria amplia as oportunidades de estágio para os acadêmicos e permite que a instituição retribua o acolhimento recebido em Maringá. “Nossos alunos ganham mais um campo de estágio e a oportunidade de aplicar, na prática, o conhecimento adquirido. Para nós, é também uma forma de contribuir com a cidade e ajudar essas mulheres”, sublinhou.

A secretária de Políticas Públicas para Mulheres, Leila Domenici, explicou que muitas mulheres precisam de acompanhamento prolongado para romper o ciclo de violência. “Às vezes, esse trabalho de acolhimento e fortalecimento precisa ser contínuo. A parceria amplia essa possibilidade e contribui para que essas mulheres tenham mais qualidade de vida e possam seguir com dignidade, longe da violência. Isso melhora não apenas a vida delas, mas também a de seus filhos e familiares. Essa parceria passa a fazer parte dessa mudança”, salientou.

A presidente da Câmara Municipal de Maringá, vereadora Majô, destacou que a parceria atende a uma demanda concreta da cidade. “O projeto garante apoio psicológico às mulheres e fortalece uma política pública capaz de gerar resultados. Romper o ciclo de violência já é um processo difícil e, depois disso, muitas ainda precisam reconstruir a vida e recuperar a autonomia. Sem acompanhamento psicológico, esse caminho se torna ainda mais desafiador”, afirmou.

A presidente do Conselho Municipal de Defesa dos Direitos das Mulheres, Donária Rizo, frisou que a continuidade ao apoio psicológico amplia as condições para que as mulheres rompam o ciclo de violência. “Muitas mulheres ainda têm o direito de viver com tranquilidade e felicidade limitado pela violência. O acompanhamento psicológico é fundamental para que elas recuperem a estabilidade, cuidem de suas famílias, transmitam segurança aos filhos e consigam encerrar esse ciclo”, assegurou.

A coordenadora do curso de Psicologia da Unicive, professora Michele Santos, avaliou que a parceria amplia o campo de estágio dos acadêmicos e também contribui para a sensibilização sobre a violência de gênero. “Mais do que oferecer uma experiência prática aos alunos, o objetivo é ajudá-los a compreender a dimensão da violência contra a mulher e atuar nesse processo de cuidado”, destacou.

Presenças - Participaram da assinatura do termo, a vice-prefeita Sandra Jacovós; a presidente da Comissão de Enfrentamento à Violência de Gênero (Cevid) da OAB Maringá, Camila Rosa; a advogada do Núcleo Maria da Penha da UEM, Gabriela Botura e a psicóloga da Defensoria Pública de Maringá, Nayra Borges.
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