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Eleito pela primeira vez para a Assembleia em 2002, deputado ampliou sua atuação pelo interior do estado e transformou a relação com prefeitos, vereadores e lideranças locais em um dos principais eixos de sua carreira política. Hoje, na Assembleia Legislativa, Curi é o representante oficial de mais de 200 municípios junto ao governo do estado.
Alexandre Curi começou sua carreira política em Curitiba, mas foi no contato com os municípios do interior que construiu uma das principais marcas de sua trajetória.
Ao longo de mais de duas décadas na Assembleia Legislativa do Paraná, o deputado ampliou a presença para diferentes regiões do Estado e fez da interlocução com prefeitos, vereadores e lideranças locais uma rotina do mandato. O movimento também apareceu nas urnas: em 2022, quando se tornou o deputado estadual mais votado do Paraná, Curi recebeu 237.033 votos, distribuídos por praticamente todo o território paranaense.
Hoje, ao disputar uma vaga no Senado, Curi coloca o municipalismo no centro de seu discurso político. A ideia parte de uma realidade conhecida por quem administra cidades pequenas e médias: muitas decisões capazes de destravar uma obra, ampliar um serviço ou viabilizar um investimento municipal passam pelo Governo do Estado, pela interlocução com Brasília, ou dependem de articulação política fora da prefeitura. É nesse espaço que Curi construiu sua atuação.
O que significa ser um deputado municipalista?
O termo aparece com frequência no vocabulário político, mas nem sempre é explicado. Um deputado estadual não administra municípios, não executa obras municipais e tampouco substitui prefeitos e vereadores. Sua função constitucional está no Legislativo: propor e votar leis, analisar o orçamento estadual e fiscalizar o Executivo. Na prática política, porém, parlamentares também funcionam como interlocutores entre os municípios e o Estado.
Uma prefeitura que precisa pavimentar ruas, construir uma escola, ampliar uma unidade de saúde ou adquirir equipamentos pode apresentar a demanda ao Governo do Paraná diretamente. Também pode buscar deputados para ajudar a levar o pedido às secretarias estaduais, acompanhar projetos, articular recursos e defender a inclusão daquela necessidade entre as prioridades do Estado. Para isso, cada prefeito indica à Casa Civil do Governo do Estado até dois deputados estaduais como seus representantes em Curitiba. E Alexandre Curi é, hoje, o deputado indicado por mais de 200 dos 399 prefeitos paranaenses.
Foi nesse papel de interlocutor que Curi passou a construir sua relação com as cidades. Prefeitos e vereadores levam demandas. O parlamentar articula o pedido com secretarias e órgãos estaduais, acompanha sua tramitação e, quando há disponibilidade orçamentária e aprovação técnica, o Governo do Estado pode liberar os recursos e executar a política diretamente ou por meio de convênios com as prefeituras.
Essa distinção é importante: articular um investimento não é o mesmo que executá-lo. Obras e programas estaduais são responsabilidades do Executivo. A atuação parlamentar ocorre na representação política dos municípios, na legislação, no orçamento e na interlocução necessária para que determinadas demandas avancem.
Uma carreira que saiu da capital
A trajetória de Curi ajuda a explicar como o municipalismo ganhou espaço em sua atuação. Filho do ex-deputado Aníbal Khury, Alexandre iniciou a própria carreira eleitoral aos 21 anos, quando foi eleito vereador de Curitiba em 2000.
Dois anos depois, conquistou pela primeira vez uma cadeira na Assembleia Legislativa, com pouco mais de 44 mil votos. A partir dali, sua base eleitoral começou a mudar.
Em vez de permanecer concentrada na capital, passou a se espalhar pelo interior. Curi ampliou relações com prefeitos, vereadores, associações e lideranças regionais e fez das visitas aos municípios uma característica dos sucessivos mandatos.
Os resultados eleitorais acompanharam esse movimento. Em 2006, recebeu 131.988 votos e foi o deputado estadual mais votado do Paraná. Repetiu a primeira colocação em 2010, com 134.233 votos. Depois de receber 114.797 votos em 2014 e 147.565 em 2018, chegou à maior votação da carreira em 2022.
Foram 237.033 votos, resultado que novamente o colocou no primeiro lugar entre os candidatos à Assembleia.
Mais significativo para compreender a geografia política de Curi é observar onde esses votos estavam.
Registros da eleição mostram que ele foi votado em 376 dos 399 municípios do Paraná, aproximadamente 94% das cidades do Estado.
Para alguém cuja primeira eleição havia sido para a Câmara Municipal de Curitiba, o mapa de 2022 mostrava uma transformação importante: duas décadas depois, sua base eleitoral havia adquirido dimensão estadual.
Por que as pequenas cidades importam
O municipalismo ganha características particulares em um Estado como o Paraná. A maior parte dos 399 municípios paranaenses é formada por cidades pequenas. Muitas possuem arrecadação limitada e dependem de transferências e programas dos governos estadual e federal para realizar investimentos de maior porte.
Para essas prefeituras, uma obra que pode parecer pequena quando comparada aos investimentos das grandes cidades é capaz de alterar significativamente a realidade local.
Alguns quilômetros de pavimentação, uma nova creche, equipamentos para uma unidade de saúde, máquinas para manutenção de estradas rurais ou recursos para um hospital regional podem ocupar lugar central no orçamento de um município de poucos milhares de habitantes.
É nesse ambiente que a articulação política ganha peso. Curi costuma associar sua atuação justamente à proximidade com prefeitos e vereadores e à capacidade de levar essas demandas para dentro do Governo do Estado.
A lógica também explica por que o deputado manteve relações políticas com administrações municipais de diferentes partidos ao longo dos mandatos. No nível local, demandas por infraestrutura, saúde ou educação frequentemente ultrapassam as fronteiras partidárias que organizam as disputas nacionais.
“É nas cidades que a vida acontece. É nelas que as pessoas precisam do serviço público e que querem ver sua demanda atendida. Por isso, eu fui aos 399 munícipios do Paraná, conheço suas vocações e suas carências e trabalho, individualmente, para atender às necessidades específicas de cada um deles, que são muito diferentes entre si”, afirma o candidato.
Dos municípios para dentro da Assembleia
Em 2023, essa relação ganhou uma dimensão institucional. Naquele ano, quando Curi ocupava a Primeira-Secretaria, a Assembleia Legislativa criou a Assembleia Itinerante, programa que passou a levar o Parlamento para diferentes regiões do Paraná.
A proposta inverteu a lógica tradicional de funcionamento do Legislativo.
Em vez de exigir que prefeitos, vereadores, entidades e moradores viajassem até Curitiba para apresentar reivindicações, deputados passaram a realizar sessões e encontros nas próprias regiões.
As primeiras nove edições receberam mais de 3 mil sugestões.
O programa cresceu e em 2025, já com Curi na Presidência da Assembleia, foram realizadas 21 edições somente naquele ano. Ao final de 2025, a Itinerante acumulava 36 edições e aproximadamente 7,5 mil demandas recebidas desde sua criação.
Os pedidos abrangem desde intervenções locais até projetos estruturantes: rodovias, hospitais, segurança pública, escolas, habitação, saneamento, infraestrutura urbana e desenvolvimento econômico.
Nem todas as demandas são atendidas, e muitas não dependem da Assembleia. O programa funciona principalmente como uma porta de entrada para que reivindicações do interior sejam formalizadas e encaminhadas aos órgãos responsáveis.
Na prática, institucionalizou dentro do Legislativo uma dinâmica que já fazia parte da atuação política de Curi.
Economia da Assembleia também chegou aos municípios
A relação com as cidades ganhou outra frente durante a passagem de Curi pela administração da Assembleia: a economia do orçamento do Legislativo.
Em 2023, quando ele era primeiro-secretário, a Casa devolveu R$ 394,5 milhões ao Executivo estadual. Parte desses recursos foi direcionada pelo Governo do Paraná ao Asfalto Novo, Vida Nova, programa voltado à pavimentação e urbanização dos municípios.
Em 2024, a devolução chegou a R$ 432 milhões, com recursos destinados pelo Executivo a iniciativas como pavimentação e construção de creches.
Já em 2025, primeiro ano de Curi como presidente da Assembleia, o Legislativo informou ter alcançado R$ 620 milhões em economia e devolução, superando a meta de R$ 500 milhões anunciada para aquele ano.
Novamente, as responsabilidades são diferentes. A Assembleia economiza e devolve os recursos. A decisão administrativa e a execução dos programas estaduais cabem ao Governo do Paraná, que faculta ao Legislativo escolher a quais programas estaduais pretende aderir. O resultado, porém, permitiu que dinheiro inicialmente reservado ao funcionamento do Legislativo fosse utilizado em políticas que chegam às cidades. É uma das maneiras pelas quais a agenda municipalista passou a aparecer também na gestão da Casa.
A relação de Curi com as cidades não se resume à transferência de recursos.
Ao longo dos mandatos, prefeitos e vereadores passaram a ocupar uma posição central em sua rede política. São eles que conhecem problemas locais, apresentam demandas e funcionam como interlocutores entre o deputado e comunidades espalhadas pelo Estado.
Essa característica ajuda a explicar a capilaridade eleitoral alcançada em 2022.
Receber votos em 376 municípios não significa possuir a mesma força política em todos eles. Há cidades onde a votação foi pequena e outras onde Curi construiu bases mais consolidadas. O dado mostra, entretanto, que sua presença eleitoral deixou de estar restrita a uma região.
Também ajuda a compreender por que o municipalismo se tornou uma das principais credenciais apresentadas por Curi na candidatura ao Senado.
O municipalismo agora mira Brasília
A mudança de uma eleição para deputado estadual para uma disputa pelo Senado altera a escala do desafio. O deputado estadual atua essencialmente na relação entre municípios e Governo do Estado. No Senado, entram em cena o orçamento da União, ministérios, programas federais e decisões nacionais que interferem diretamente nas contas das prefeituras.
É nesse ponto que Curi procura conectar sua trajetória no Paraná à candidatura de 2026. Seu argumento é que a experiência construída na interlocução entre cidades, Assembleia e Governo do Estado pode ser levada para a relação dos municípios paranaenses com Brasília.
O desafio também é eleitoral. Em uma disputa proporcional para deputado estadual, é possível conquistar uma cadeira a partir de bases concentradas em determinadas regiões. Uma eleição para senador exige uma votação muito mais ampla.
Nesse sentido, os 237.033 votos de 2022 oferecem uma fotografia relevante do ponto de partida: naquela eleição, Curi já havia recebido votos em aproximadamente 94% dos municípios paranaenses. Mas a dimensão eleitoral é apenas uma parte da história.
Entre o vereador eleito em Curitiba em 2000 e o presidente da Assembleia que hoje percorre o Paraná há mais de duas décadas de construção de relações locais.
São 399 municípios com realidades bastante diferentes entre si. Grandes centros industriais convivem com pequenas cidades agrícolas; regiões metropolitanas, com municípios de poucos milhares de habitantes; demandas por grandes rodovias, com pedidos por algumas quadras de pavimentação.
É justamente essa diversidade que ajuda a explicar o municipalismo defendido por Curi: a ideia de que compreender o Paraná exige olhar para o Estado não apenas a partir de Curitiba, mas a partir de cada uma de suas cidades.
Ao longo de mais de duas décadas na Assembleia Legislativa do Paraná, o deputado ampliou a presença para diferentes regiões do Estado e fez da interlocução com prefeitos, vereadores e lideranças locais uma rotina do mandato. O movimento também apareceu nas urnas: em 2022, quando se tornou o deputado estadual mais votado do Paraná, Curi recebeu 237.033 votos, distribuídos por praticamente todo o território paranaense.
Hoje, ao disputar uma vaga no Senado, Curi coloca o municipalismo no centro de seu discurso político. A ideia parte de uma realidade conhecida por quem administra cidades pequenas e médias: muitas decisões capazes de destravar uma obra, ampliar um serviço ou viabilizar um investimento municipal passam pelo Governo do Estado, pela interlocução com Brasília, ou dependem de articulação política fora da prefeitura. É nesse espaço que Curi construiu sua atuação.
O que significa ser um deputado municipalista?
O termo aparece com frequência no vocabulário político, mas nem sempre é explicado. Um deputado estadual não administra municípios, não executa obras municipais e tampouco substitui prefeitos e vereadores. Sua função constitucional está no Legislativo: propor e votar leis, analisar o orçamento estadual e fiscalizar o Executivo. Na prática política, porém, parlamentares também funcionam como interlocutores entre os municípios e o Estado.
Uma prefeitura que precisa pavimentar ruas, construir uma escola, ampliar uma unidade de saúde ou adquirir equipamentos pode apresentar a demanda ao Governo do Paraná diretamente. Também pode buscar deputados para ajudar a levar o pedido às secretarias estaduais, acompanhar projetos, articular recursos e defender a inclusão daquela necessidade entre as prioridades do Estado. Para isso, cada prefeito indica à Casa Civil do Governo do Estado até dois deputados estaduais como seus representantes em Curitiba. E Alexandre Curi é, hoje, o deputado indicado por mais de 200 dos 399 prefeitos paranaenses.
Foi nesse papel de interlocutor que Curi passou a construir sua relação com as cidades. Prefeitos e vereadores levam demandas. O parlamentar articula o pedido com secretarias e órgãos estaduais, acompanha sua tramitação e, quando há disponibilidade orçamentária e aprovação técnica, o Governo do Estado pode liberar os recursos e executar a política diretamente ou por meio de convênios com as prefeituras.
Essa distinção é importante: articular um investimento não é o mesmo que executá-lo. Obras e programas estaduais são responsabilidades do Executivo. A atuação parlamentar ocorre na representação política dos municípios, na legislação, no orçamento e na interlocução necessária para que determinadas demandas avancem.
Uma carreira que saiu da capital
A trajetória de Curi ajuda a explicar como o municipalismo ganhou espaço em sua atuação. Filho do ex-deputado Aníbal Khury, Alexandre iniciou a própria carreira eleitoral aos 21 anos, quando foi eleito vereador de Curitiba em 2000.
Dois anos depois, conquistou pela primeira vez uma cadeira na Assembleia Legislativa, com pouco mais de 44 mil votos. A partir dali, sua base eleitoral começou a mudar.
Em vez de permanecer concentrada na capital, passou a se espalhar pelo interior. Curi ampliou relações com prefeitos, vereadores, associações e lideranças regionais e fez das visitas aos municípios uma característica dos sucessivos mandatos.
Os resultados eleitorais acompanharam esse movimento. Em 2006, recebeu 131.988 votos e foi o deputado estadual mais votado do Paraná. Repetiu a primeira colocação em 2010, com 134.233 votos. Depois de receber 114.797 votos em 2014 e 147.565 em 2018, chegou à maior votação da carreira em 2022.
Foram 237.033 votos, resultado que novamente o colocou no primeiro lugar entre os candidatos à Assembleia.
Mais significativo para compreender a geografia política de Curi é observar onde esses votos estavam.
Registros da eleição mostram que ele foi votado em 376 dos 399 municípios do Paraná, aproximadamente 94% das cidades do Estado.
Para alguém cuja primeira eleição havia sido para a Câmara Municipal de Curitiba, o mapa de 2022 mostrava uma transformação importante: duas décadas depois, sua base eleitoral havia adquirido dimensão estadual.
Por que as pequenas cidades importam
O municipalismo ganha características particulares em um Estado como o Paraná. A maior parte dos 399 municípios paranaenses é formada por cidades pequenas. Muitas possuem arrecadação limitada e dependem de transferências e programas dos governos estadual e federal para realizar investimentos de maior porte.
Para essas prefeituras, uma obra que pode parecer pequena quando comparada aos investimentos das grandes cidades é capaz de alterar significativamente a realidade local.
Alguns quilômetros de pavimentação, uma nova creche, equipamentos para uma unidade de saúde, máquinas para manutenção de estradas rurais ou recursos para um hospital regional podem ocupar lugar central no orçamento de um município de poucos milhares de habitantes.
É nesse ambiente que a articulação política ganha peso. Curi costuma associar sua atuação justamente à proximidade com prefeitos e vereadores e à capacidade de levar essas demandas para dentro do Governo do Estado.
A lógica também explica por que o deputado manteve relações políticas com administrações municipais de diferentes partidos ao longo dos mandatos. No nível local, demandas por infraestrutura, saúde ou educação frequentemente ultrapassam as fronteiras partidárias que organizam as disputas nacionais.
“É nas cidades que a vida acontece. É nelas que as pessoas precisam do serviço público e que querem ver sua demanda atendida. Por isso, eu fui aos 399 munícipios do Paraná, conheço suas vocações e suas carências e trabalho, individualmente, para atender às necessidades específicas de cada um deles, que são muito diferentes entre si”, afirma o candidato.
Dos municípios para dentro da Assembleia
Em 2023, essa relação ganhou uma dimensão institucional. Naquele ano, quando Curi ocupava a Primeira-Secretaria, a Assembleia Legislativa criou a Assembleia Itinerante, programa que passou a levar o Parlamento para diferentes regiões do Paraná.
A proposta inverteu a lógica tradicional de funcionamento do Legislativo.
Em vez de exigir que prefeitos, vereadores, entidades e moradores viajassem até Curitiba para apresentar reivindicações, deputados passaram a realizar sessões e encontros nas próprias regiões.
As primeiras nove edições receberam mais de 3 mil sugestões.
O programa cresceu e em 2025, já com Curi na Presidência da Assembleia, foram realizadas 21 edições somente naquele ano. Ao final de 2025, a Itinerante acumulava 36 edições e aproximadamente 7,5 mil demandas recebidas desde sua criação.
Os pedidos abrangem desde intervenções locais até projetos estruturantes: rodovias, hospitais, segurança pública, escolas, habitação, saneamento, infraestrutura urbana e desenvolvimento econômico.
Nem todas as demandas são atendidas, e muitas não dependem da Assembleia. O programa funciona principalmente como uma porta de entrada para que reivindicações do interior sejam formalizadas e encaminhadas aos órgãos responsáveis.
Na prática, institucionalizou dentro do Legislativo uma dinâmica que já fazia parte da atuação política de Curi.
Economia da Assembleia também chegou aos municípios
A relação com as cidades ganhou outra frente durante a passagem de Curi pela administração da Assembleia: a economia do orçamento do Legislativo.
Em 2023, quando ele era primeiro-secretário, a Casa devolveu R$ 394,5 milhões ao Executivo estadual. Parte desses recursos foi direcionada pelo Governo do Paraná ao Asfalto Novo, Vida Nova, programa voltado à pavimentação e urbanização dos municípios.
Em 2024, a devolução chegou a R$ 432 milhões, com recursos destinados pelo Executivo a iniciativas como pavimentação e construção de creches.
Já em 2025, primeiro ano de Curi como presidente da Assembleia, o Legislativo informou ter alcançado R$ 620 milhões em economia e devolução, superando a meta de R$ 500 milhões anunciada para aquele ano.
Novamente, as responsabilidades são diferentes. A Assembleia economiza e devolve os recursos. A decisão administrativa e a execução dos programas estaduais cabem ao Governo do Paraná, que faculta ao Legislativo escolher a quais programas estaduais pretende aderir. O resultado, porém, permitiu que dinheiro inicialmente reservado ao funcionamento do Legislativo fosse utilizado em políticas que chegam às cidades. É uma das maneiras pelas quais a agenda municipalista passou a aparecer também na gestão da Casa.
A relação de Curi com as cidades não se resume à transferência de recursos.
Ao longo dos mandatos, prefeitos e vereadores passaram a ocupar uma posição central em sua rede política. São eles que conhecem problemas locais, apresentam demandas e funcionam como interlocutores entre o deputado e comunidades espalhadas pelo Estado.
Essa característica ajuda a explicar a capilaridade eleitoral alcançada em 2022.
Receber votos em 376 municípios não significa possuir a mesma força política em todos eles. Há cidades onde a votação foi pequena e outras onde Curi construiu bases mais consolidadas. O dado mostra, entretanto, que sua presença eleitoral deixou de estar restrita a uma região.
Também ajuda a compreender por que o municipalismo se tornou uma das principais credenciais apresentadas por Curi na candidatura ao Senado.
O municipalismo agora mira Brasília
A mudança de uma eleição para deputado estadual para uma disputa pelo Senado altera a escala do desafio. O deputado estadual atua essencialmente na relação entre municípios e Governo do Estado. No Senado, entram em cena o orçamento da União, ministérios, programas federais e decisões nacionais que interferem diretamente nas contas das prefeituras.
É nesse ponto que Curi procura conectar sua trajetória no Paraná à candidatura de 2026. Seu argumento é que a experiência construída na interlocução entre cidades, Assembleia e Governo do Estado pode ser levada para a relação dos municípios paranaenses com Brasília.
O desafio também é eleitoral. Em uma disputa proporcional para deputado estadual, é possível conquistar uma cadeira a partir de bases concentradas em determinadas regiões. Uma eleição para senador exige uma votação muito mais ampla.
Nesse sentido, os 237.033 votos de 2022 oferecem uma fotografia relevante do ponto de partida: naquela eleição, Curi já havia recebido votos em aproximadamente 94% dos municípios paranaenses. Mas a dimensão eleitoral é apenas uma parte da história.
Entre o vereador eleito em Curitiba em 2000 e o presidente da Assembleia que hoje percorre o Paraná há mais de duas décadas de construção de relações locais.
São 399 municípios com realidades bastante diferentes entre si. Grandes centros industriais convivem com pequenas cidades agrícolas; regiões metropolitanas, com municípios de poucos milhares de habitantes; demandas por grandes rodovias, com pedidos por algumas quadras de pavimentação.
É justamente essa diversidade que ajuda a explicar o municipalismo defendido por Curi: a ideia de que compreender o Paraná exige olhar para o Estado não apenas a partir de Curitiba, mas a partir de cada uma de suas cidades.
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