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24/10/2026
Você sabe aproveitar a própria companhia?
Você sabe aproveitar a própria companhia?
Por que esperar alguém ter disponibilidade para começar a viver as experiências que você deseja?
Você já deixou de ir à academia porque ninguém podia ir junto? Desistiu daquele restaurante porque não tinha companhia? Ou adiou um passeio, um almoço ou até uma viagem esperando alguém se animar?

Se a resposta for sim, saiba que você não está sozinho. A gente se acostuma tanto a compartilhar os momentos que, às vezes, começa a depender da disponibilidade dos outros até para fazer aquilo de que gosta.

E, quando percebe, o convite não aconteceu, o restaurante continua na lista de desejos e a vontade ficou para depois. Afinal, combinar horários entre adultos ocupados às vezes parece mais difícil do que organizar um evento.

Mas fica a pergunta: será que estamos deixando de viver experiências porque realmente não queremos ir ou porque ainda temos dificuldade de ir sozinhos?

Sua vida não precisa esperar a agenda de ninguém
Aproveitar a própria companhia não significa ser antissocial, não gostar de amigos ou preferir a solidão. Significa desenvolver a liberdade de fazer escolhas sem depender de alguém para dar o primeiro passo.

Quer começar a treinar? Vá. Está com vontade de conhecer um restaurante? Reserve uma mesa. Quer almoçar fora em um dia de semana, tomar um café depois do trabalho ou assistir àquele filme que ninguém mais quer ver? Por que não?

No começo, pode parecer estranho. Talvez você fique pensando se as pessoas estão olhando, se alguém vai achar esquisito ou se deveria estar conversando com alguém. Mas, na maioria das vezes, estamos muito mais preocupados com a nossa própria insegurança do que qualquer outra pessoa está com o que fazemos.

E tem uma vantagem: quando você aprende a aproveitar a própria companhia, deixa de transformar a falta de companhia em motivo para cancelar os próprios planos.

Do treino ao jantar: experimente sair do automático
Na academia: não espere um amigo se matricular para começar. Monte seu treino, coloque uma música de que gosta e respeite seu ritmo. Ter companhia pode ser ótimo, mas cuidar de si não precisa depender da motivação alheia.

No almoço: experimente sentar em um restaurante de que gosta, pedir sua comida favorita e aproveitar a pausa sem pressa. Você não precisa fingir que está ocupado no celular para justificar estar sozinho à mesa.

No jantar: escolha um lugar agradável, vista aquela roupa que estava esperando uma ocasião especial e permita-se aproveitar a experiência. A ocasião especial pode ser simplesmente uma noite em que você decidiu fazer algo por si.

Na igreja: se você tem o hábito de frequentar uma comunidade religiosa, não deixe de participar de um culto, missa ou encontro porque ninguém conseguiu acompanhar você. Esses momentos também podem ser oportunidades de reflexão, acolhimento e conexão com outras pessoas.

Nos passeios: visite um parque, uma exposição, uma livraria ou um lugar novo na cidade. Vá sem a obrigação de registrar tudo ou de transformar o passeio em conteúdo para as redes sociais. Algumas experiências ficam melhores quando a atenção está no que acontece ao redor.
A ideia não é fazer tudo sozinho. É perceber que você também pode fazer muita coisa por conta própria.

Um pequeno desafio para começar
Não precisa reservar uma viagem para descobrir o prazer da própria companhia. Comece com experiências simples e aumente o desafio conforme se sentir confortável.
Experimente estas cinco ideias: Faça um programa que você vive adiando. Escolha algo que deseja fazer há algum tempo e vá, mesmo que ninguém possa acompanhar.Desconecte-se um pouco. Durante o passeio ou a refeição, guarde o celular por alguns minutos e observe o ambiente.Escolha por você. Vá ao lugar que realmente deseja conhecer, em vez de escolher sempre o programa que agrada a todo mundo.Aprenda a apreciar o silêncio. Nem todo momento precisa de conversa, música ou distração. Às vezes, ficar com os próprios pensamentos também faz bem.Não transforme isso em obrigação. Aproveitar a própria companhia não significa recusar convites ou evitar pessoas. Significa ter liberdade para escolher. Estar bem sozinho também melhora os encontros
Existe uma diferença importante entre escolher estar sozinho e sentir-se sozinho. A primeira situação pode ser uma experiência prazerosa; a segunda pode trazer sofrimento e merece acolhimento, conexão e apoio quando necessário.

O objetivo não é romantizar a solidão, muito menos dizer que não precisamos uns dos outros. Precisamos, sim, de afeto, amizade, convivência e relações que façam sentido.

Mas nossas relações não precisam ser a única porta de entrada para as experiências que desejamos viver.

Quando aprendemos a respeitar nossos gostos, interesses e vontades, também conseguimos compartilhar momentos com mais liberdade. Estar com alguém deixa de ser uma condição para sair de casa e passa a ser uma escolha que acrescenta algo bom à experiência.
E se você começasse neste fim de semana?

Pense em algo que gostaria de fazer, mas vive adiando porque ninguém pode ir junto. Um café, um almoço, um treino, um jantar ou um passeio simples.

Escolha o dia, organize o horário e experimente.

Talvez você descubra que gosta de sair sozinho. Talvez perceba que prefere compartilhar alguns programas e fazer outros por conta própria. Não existe uma regra única.

O importante é não deixar que a sua vida fique em modo de espera até que todas as agendas coincidam.

Afinal, você pode amar estar acompanhado e, ainda assim, aprender a gostar da própria companhia.

E, convenhamos, é muito bom descobrir que você não precisa esperar alguém responder “vamos!” para finalmente fazer o que tem vontade.

Roberta Stieven
Uma coluna sobre pessoas, movimentos e tudo aquilo que gera conexão.
Colunista Viver Maringá
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