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Para comprar IPv4 dedicado, IPv6, ISP ou residencial rotativo, o preço varia de loja para loja, e o que se vende como ISP muda de natureza.
Na primeira compra de um proxy, o cliente encontra um mercado sem tabela de referência. O serviço aluga um endereço de internet, que serve para separar contas de redes sociais e de anúncios, acessar sistemas que exigem IP fixo ou consultar sites como se estivesse em outro lugar. As lojas vendem produtos com nomes parecidos, cobram de jeitos diferentes e nem sempre mostram quem está por trás do site. Para lojistas, agências e profissionais de marketing de Maringá e região, que contratam o serviço pela internet, a escolha costuma ser feita no escuro.
Para medir essa diferença, foi feita uma pesquisa de preços em 16 lojas brasileiras que vendem proxy com IP do Brasil, no mesmo formato das comparações que órgãos de defesa do consumidor fazem com cesta básica e material escolar. Os números foram coletados em 4 de novembro de 2026, entre 13h07 e 13h21. O resultado mostra que o endereço dedicado de data center, o tipo mais comum, custa de R$ 18 a R$ 35 por mês. Também mostra que o mesmo nome de produto esconde coisas bem diferentes, e que uma em cada três lojas não informa no site a razão social ou o CNPJ.
Como a pesquisa foi feita
Entraram lojas com site em português e preço em reais: 15 concorrentes, além da ProxyBox. Os preços foram lidos nas páginas públicas, sem cadastro, sem cupom e sem desconto de primeira compra, sempre para uma unidade e 30 dias de uso. Quatro das 16 não aparecem na tabela: - duas vendem só proxy de celular, cobrado por dia ou por pacote de dados, o que impede a comparação direta; - uma mostra os preços só depois do cadastro; - uma estava sem estoque do único produto comparável.
Não entraram as 29 empresas estrangeiras encontradas na busca, que cobram em dólar, nem uma loja brasileira cujo site bloqueou a leitura automática.
Quatro tipos de proxy foram comparados: - IPv4 dedicado: endereço exclusivo de data center; - ISP: IP fixo que, pelo nome, deveria pertencer a um provedor de banda larga; - IPv6: versão nova do protocolo, mais barata; - residencial: cobrado por gigabyte, sai por conexões domésticas que mudam a cada acesso.
Esta publicação é patrocinada pela ProxyBox, uma das lojas pesquisadas. Por isso, as concorrentes aparecem identificadas por letras. A ProxyBox entrou com os preços da própria vitrine, lidos do mesmo jeito que os das outras.
LojaIPv4 dedicadoISPIPv6, 1 IPResidencial, por GBProxyBoxR$ 30,00R$ 50,00R$ 13,90R$ 49,90AR$ 35,00R$ 55,00R$ 6,99 (pacote de 10)R$ 34,90BR$ 20,90R$ 20,90não vendeR$ 7,69CR$ 18,00não vendeR$ 12,00R$ 25,00DR$ 33,00R$ 44,80R$ 24,90R$ 28,80ER$ 39,90 (país incerto)R$ 49,90R$ 29,90não vendeFnão vendeR$ 40,00R$ 8,00 (pacote de 5)não vendeGnão publicanão vendeR$ 25,00não vendeHnão vendenão vendenão vendeR$ 9,90Inão vendenão vendenão vendeR$ 7,90Jnão vendenão vendenão vendeR$ 8,85 (pacote de 5 GB)Knão vendenão vendenão vendeR$ 8,04 (pacote de 5 GB)
Valores por mês, por endereço. No residencial, o preço é do menor pacote à venda. A loja E chama o produto de "IPv4 Dedicado Brasil", mas a tela de compra só mostrava o plano dos Estados Unidos, então o preço ficou fora das medianas.
IPv4 dedicado: de R$ 18 a R$ 35
Cinco lojas, contando a ProxyBox, vendiam o IPv4 dedicado brasileiro com estoque no dia. A mediana, valor que fica no meio da lista, ficou em R$ 30, que é o preço da própria ProxyBox. A mais barata cobrava R$ 18, e a mais cara, R$ 35. Uma sexta loja anunciava o endereço a R$ 15, mas o botão de compra indicava "sem estoque".
A diferença de quase o dobro diminui quando entram as condições de compra. Três fatores pesam mais que o preço de vitrine:
Prazo. A loja B, de R$ 20,90 por 30 dias, vende 90 dias por R$ 40,79, o que dá R$ 13,60 por mês, um corte de 35%. A loja A dá 10% no plano trimestral e 15% no semestral. A loja E oferece 18% no plano anual, com pagamento do ano inteiro.Quantidade. Na ProxyBox, o IP cai de R$ 30 para R$ 23,40 a partir de 50 endereços, somando o pedido e os que já estão ativos na conta. Na loja A, o preço baixa para R$ 31,50 a partir de dez.O que vem junto. Os protocolos aceitos (HTTP, SOCKS5), o login com usuário e senha, a reposição se o endereço parar e suporte em português entram no preço, mas raramente aparecem lado a lado na vitrine.
Um alerta vale para as listas que anunciam endereços a R$ 0,29 ou R$ 0,40. Duas lojas pesquisadas vendem esse tipo de pacote, sem dizer se o IP é exclusivo nem por quantos dias vale. Por isso, eles ficaram fora da comparação. Para separar contas ou cadastrar um endereço num sistema, o que importa é a exclusividade, e ela custa mais.
O que cada loja chama de ISP
No produto chamado de ISP, o preço foi de R$ 20,90 a R$ 55, com mediana de R$ 47,35 em seis lojas. A diferença se explica menos pela margem de cada loja e mais pelo que é vendido com esse nome.
Na teoria, proxy ISP é um IP fixo cujo bloco pertence a uma empresa que vende internet para residências e escritórios. Para os sites, ele parece a conexão de um assinante comum, o que tende a reduzir pedidos de verificação em plataformas rigorosas. Na prática, a pesquisa encontrou quatro coisas diferentes com o mesmo rótulo: - duas lojas dizem nas próprias páginas que o endereço roda em servidor; - uma vende "residencial fixo" de provedor de fibra; - uma descreve o produto como IP de "operadora fixa"; - na loja B, o ISP sai pelo mesmo preço e com as mesmas opções de prazo do IPv4.
Para quem compra, a conferência é simples. Antes de pagar, peça à loja um endereço de exemplo e consulte o dono do bloco num site de consulta de IP. Se o resultado mostrar uma empresa de hospedagem ou de data center, o produto não é o que o nome promete. A ProxyBox, que vende o ISP a R$ 50, fez esse tipo de checagem com o próprio estoque em 3 de novembro. Dos 57 endereços testados em dois serviços de classificação, 51 apareceram como conexão comum de provedor, sem marcação de hospedagem ou VPN.
IPv6: o mais barato, com uma condição
No IPv6, o preço de um endereço avulso foi de R$ 12 a R$ 29,90, com mediana de R$ 24,90. Em pacote, ele cai muito. Na loja A, dez endereços saem por R$ 69,90, ou R$ 6,99 cada. Na F, cinco custam R$ 40. A ProxyBox vende o IPv6 avulso a R$ 13,90 e em lotes de 10 a 500 endereços, com preço por IP que vai de R$ 6,49 no menor lote a R$ 4,10 no maior.
A condição é técnica. Um proxy IPv6 só abre sites que aceitam a versão nova do protocolo. Duas das lojas pesquisadas avisam isso na própria página: uma pede que o cliente "teste a compatibilidade antes", e outra diz que duas redes sociais conhecidas exigem IPv4. Quem vai comprar proxy IPv6 precisa, antes, conferir se os sites que pretende usar respondem por esse caminho. Google e Meta, por exemplo, respondem por IPv6. Já serviços menores, lojas virtuais e sistemas brasileiros mais antigos nem sempre aceitam.
Residencial: o gigabyte não é todo igual
O proxy residencial é cobrado pelo volume de dados, e não por endereço. Foi a categoria com mais lojas, nove, e com a maior distância entre os preços: de R$ 7,69 a R$ 49,90 por gigabyte no menor pacote, com mediana de R$ 9,90.
Os preços formam dois grupos. Cinco lojas cobram entre R$ 7,69 e R$ 9,90. Quatro cobram entre R$ 25 e R$ 49,90, e a ProxyBox está no topo dessa faixa quando se compra um único gigabyte. O valor cai com o tamanho do pacote: na ProxyBox, 5 GB saem por R$ 178,94, o equivalente a R$ 35,79 por gigabyte, e acima de 100 GB o preço é de R$ 29,18.
A vitrine não mostra o que explica a distância entre os dois grupos. Ela não informa quantos endereços brasileiros a rede tem de fato, quantas conexões chegam ao destino sem bloqueio nem por quanto tempo o mesmo IP se mantém numa sessão. Por isso, o custo que importa é o do gigabyte que funciona. Um pacote barato que falha em metade das tentativas sai mais caro do que parece.
Três perguntas ajudam antes de comprar proxy residencial: - O saldo expira? Duas lojas da pesquisa, a C e a ProxyBox, dizem na vitrine que o gigabyte comprado não vence. Nas demais, vale perguntar antes. - Dá para escolher estado ou cidade? Para quem precisa ver resultados regionais, como preços de lojas do Paraná, a escolha da localização muda o resultado. - Qual é o menor pacote? Comprar o menor volume possível e medir quantas páginas abrem é o jeito mais barato de comparar duas lojas.
O que a vitrine não mostra
Fora do preço, a pesquisa olhou o que cada site informa sobre a empresa e as regras de compra. Das 15 lojas concorrentes lidas, cinco não mostravam razão social nem CNPJ nas páginas consultadas. Em uma delas, os termos de uso traziam o campo do nome da empresa em branco, com o texto do modelo ainda entre colchetes.
O Pix aparece em 12 das 15 lojas, e o cartão, em oito. Só duas oferecem teste grátis, uma de 15 minutos no residencial e outra de uma hora no proxy de celular. Outras vendem passes curtos, de 24 horas ou de sete dias, que funcionam como teste pago.
A política de devolução foi o ponto mais desigual. Pelo artigo 49 do Código de Defesa do Consumidor, há sete dias para desistir de compras feitas fora da loja física, o que inclui a internet. Seis lojas citam o prazo de sete dias, várias com limite de consumo ou análise caso a caso para devolver o valor. Outras seis restringem a devolução a erro técnico ou dizem nos termos que não há reembolso depois que o acesso é liberado. Três não tinham política localizável. Como a aplicação desse direito a um serviço digital já entregue ainda gera discussão, ler os termos antes de pagar é a forma mais segura de evitar surpresa.
Os preços valem para o dia da coleta e mudam com frequência, inclusive por promoções. A pesquisa também não mediu velocidade nem taxa de bloqueio, que dependem do uso, e pode ter deixado de fora vendedores que atendem só por aplicativo de mensagem. Ainda assim, ela permite tirar uma conclusão: o preço de vitrine, sozinho, diz pouco. Antes de comprar, vale comparar o tipo real do endereço, o prazo, a regra de devolução e quem é a empresa que assina a venda.
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